segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Os zumbis, esses amores




Aproveitando esse clima de Halloween, acabei ainda há pouco de assistir Terra dos Mortos, um dos filmes de zumbis mais interessantes do Romero, lançado em 2005. Aí fiquei pensando na razão de eu gostar tanto de filmes de mortos-vivos ao ponto de assistir os mesmos milhares de vezes e sempre preferir essas histórias a qualquer outra coisa que esteja passando na TV. 

Daí me ocorreu que a principal razão de adorar zumbis e suas aventuras talvez seja o fato de eu ser uma pessoa extremamente prática, que não gosta de dramas nem de frescurinhas. E quem pode ser mais prático e menos fresco do que um zumbi esfaimado sedento por sangue? Pensando mais a fundo, me dei conta de que chego a nutrir por eles um profundo carinho. Isso porque, veja bem, são as criaturas mais honestas que já se viu, tanto no mundo da fantasia quanto na vida real. Zumbis são maus, sujos, fedidos, ensanguentados. E são aquilo sempre, sem hipocrisia, sem esconder de ninguém nem fingir ser de outro jeito. Zumbis não se apaixonam, não são fofinhos nem bem vestidos, e só vão brilhar no escuro se alguém jogar alguma substância radioativa neles.

Obstinados, são extremamente francos, práticos e retos em seu propósito, que é pura e simplesmente comer carne humana, sem enrolação. Matar, despedaçar, morder, estraçalhar. Por um belo naco de carne, são capazes de vencer qualquer desafio, se arrastar pelo chão por quilômetros, vencer qualquer barreira. Sem nunca desistir, incansáveis e eternamente perseverantes em seu objetivo de comer um pedaço fresquinho de cérebro. E por causa disso, os zumbis não podem perder tempo com bobagens, como falar, raciocinar ou preparar armadilhas. E são incrivelmente ágeis: mesmo desengonçados, semi-decompostos, faltando pedaços e se arrastando sobre uma perna côxa, são rápidos e sempre conseguem alcançar humanos saudáveis e em perfeitas faculdades mentais. Um verdadeiro exemplo de superação.


Além disso, outra grande vantagem dos zumbis é o fato de não serem chatos, mal que acomete grande parte dos humanos vivos hoje em dia. Eles não têm peso na consciência nem pena de ninguém, não ficam sofrendo dilemas morais nem choramingando e reclamando pelos cantos como outras criaturas fantásticas (ou não) por aí. Se um zumbi pudesse optar entre ser vegetariano ou comer cérebros, ainda assim ele escolheria a apetitosa, ensanguentada e fibrosa carne humana. Porque zumbis não estão nem aí pra porra nenhuma, não tentam ser politicamente corretos. Não se preocupam com a opinião pública nem dão a mínima para o que vão pensar deles, porque não têm tempo a perder com besteiras.


Mas ainda assim, esses mortinhos-vivos são naturalmente seres ecológicos e perfeitamente integrados com o meio ambiente em que estão inseridos. Isso porque os zumbis só andam a pé, não desperdiçam água com banhos, não sobrecarregam os sistemas de esgoto e nem comem produtos industrializados. Se dependesse deles, a mata atlântica estaria bem mais conservada, os rios ainda estariam limpos e haveria bem menos emissão de CO2 na atmosfera. Outro ponto que demonstra a óbvia superioridade de caráter dos zumbis é o fato de não ligarem para as aparências. Você pode reparar que eles estão sempre juntos, mesmo que uns sejam gordos, outros já estejam meios podres e alguns, ainda, tenham um pedaço da cabeça ou demais membros faltando. Porque eles são superiores, não discriminam, não praticam bullying. Sempre vão aceitar um novo membro no bando, unidos fraternalmente pelo objetivo comum: mioooooolos.


No entanto, mesmo sendo assim, tão receptivos, ambientalistas e engajados com a causa, os zumbis não vão te pentelhar para comer menos gordura, para trocar seu carro a gasolina por um híbrido e nem te aconselhar a estudar mais ou fechar a torneira quando escovar os dentes. E também não vão tentar te impedir de fazer aquele bullyingzinho de leve com aquele seu amiguinho mais descompensado, nem te crucificar porque você fez piada com o câncer do Lula. Simplesmente porque zumbis não dão a mínima pra você, eles querem mais é que você se foda, só querem comer o seu cérebro e ficar bem tranquilos no canto deles. Porque zumbis são descomplicados e bem claros, não falam meias-palavras, não esperam que você compreenda suas sutilezas, não guardam mágoas nem alimentam rancorezinhos. Zumbis nunca serão confundidos, não te trairão nem nunca, nunca, ficarão magoados à toa. Eles são fodões. E sabem disso. Ah, tantas lições que podemos aprender com eles!

sábado, 29 de outubro de 2011

Começando de novo

Mais uma tentativa - de umas outras 30 - de criar um blog pra registrar pensamentos e bobeiras aleatórias do cotidiano. Desde que eu tinha uns 12 anos venho tentando fazer blogs... já fiz uns que duraram meses, outros que duraram semanas e outros que duraram só alguns dias. Também tem um, o Por aí vamos , que já tem uns 3 anos, mas só atualizo quando viajo, então como isso não acontece com frequência, resolvi criar este aqui para me obrigar a escrever coisas que não tenham a ver com saúde, doenças, coisinhas fofinhas e outros assuntos (por vezes bem pentelhos) sobre os quais preciso discorrer diariamente no trabalho. Vamos ver quanto tempo vai durar...